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Na mídia – Os bilhões que o Pátria ainda tem a ‘desovar’ de fundos

Cerca de metade do fundo VII, de US$ 1,2 bi, ainda deve ser alocada, além de 10% do fundo VI; atacarejo e agro tiveram aporte

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https://medialinkblog.wordpress.com/2025/09/19/os-bilhoes-que-o-patria-ainda-tem-a-desovar-de-fundos-valor/
https://valor.globo.com/empresas/noticia/2025/09/19/os-bilhoes-que-o-patria-ainda-tem-a-desovar-de-fundos.ghtml

A gestora brasileira Pátria Investimentos tem alguns bilhões de dólares na manga para tentar acelerar aquisições e fazer seus próprios negócios ganharem maior musculatura, num ambiente ainda espinhoso aos private equities.

Cerca de 50% do US$ 1,2 bilhão captado, em 2024, pelo fundo VII de investimento em participações de empresas está disponível e ainda restam 10% dos US$ 2,7 bilhões do fundo VI, que inclui desembolsos para a Plurix, a maior holding do setor de supermercados do país.

Apesar de declarar não se tratar de uma meta, a gestora entende que esse movimento deve colocar a Plurix na lista das dez maiores cadeias de varejo alimentar no Brasil neste ano, afirma o comando, numa disputa direta com os chilenos da Cencosud e com o grupo catarinense Koch.

Pela nota de corte projetada do ranking anual da Abras, a associação setorial, seria preciso atingir receita bruta da ordem de R$ 12 bilhões para entrar nessa lista do “top 10” de 2025.

“Temos um bom capital do fundo VII para alocar ainda, algo em torno da metade do captado e há também os recursos para as teses existentes com a Plurix no fundo VI”, afirma Luis Felipe Cruz, sócio da área de private equity do Pátria. Com base nesses cálculos, faltariam ser desembolsados cerca de US$ 270 milhões do fundo VI, e em torno de US$ 600 milhões do fundo VII – ou R$ 4,6 bilhões no total, a câmbio atual.

Um ambiente pouco propício aos private equities, pelos valores achatados de empresas, o que trava acordos, e o cenário de taxa de juros de 15% ao ano fizeram desacelerar esse mercado após 2024. Neste ano, a movimentação continua mais lenta.

Entre janeiro e junho de 2025, foram 69 transações de fundos de private na América Latina, onde o Brasil lidera o mercado, sendo 22 com valor divulgado, totalizando US$ 4,6 bilhões. A retração é de 36% no volume total e de 56% no valor movimentado sobre 2024, segundo estudo da Aon plc, TTR Data e a Datasite.

Ao mesmo tempo, a expectativa de concorrência entre ativos no setor permanece no radar. A gestora Advent International tem avaliado a compra de negócios de varejo alimentar nos últimos meses, apurou o Valor, e entre eles, a rede de supermercados Sonda.

Sobre essa questão, historicamente “low profile”, o Pátria evita abrir ações futuras, mas sinaliza que tem analisado mais entradas do que desinvestimentos em seus últimos fundos abertos – o prazo de investimento chega a até 10 anos nas suas alocações. E afirma que busca ativos dentro da “regra de ouro” do “20/30”.

Trata-se do percentual de aplicação dos recursos em ativos de setores como alimentos/bebidas, logística/serviços, saúde e agronegócio – em cerca de 20% a 30% por segmento em cada fundo, para balancear a carteira.

Pelas últimas compras após 2024, o Pátria vem montando outras holdings estratégicas, respeitando essas proporções, como no fundo VII, com fertilizantes sustentáveis (os ativos Microgeo e TMF, comprados de dois anos para cá, estão lá).

Além disso, não estão descartadas movimentações em logística, saúde e agronegócio. Dados de um dos últimos prospectos para captação do fundo VII, de 2024, citava dois “targets” em estágio avançado em saúde e três em agronegócio – posteriormente, a gestora anunciou a compra de 75% da Sementes São Francisco.

Desenvolvemos teses com ambição de criar ‘players’ com 10% a 20% de fatia de mercado”

— Marcos Ambrosano

Ainda dentro desse fundo VII, está a rede Atakarejo, com sede em Salvador (BA), comprada em 2023, e que opera separada da Plurix, no fundo VI.

Entre os negócios de destaque na carteira estão a Frooty, que produz e vende creme de açaí (fundo IV); a Delly’s, distribuidora de alimentos (fundos V e VII); a SuperFrio, de logística refrigerada (fundo IV); a holding de varejo Plurix e a rede baiana Atakarejo (fundos VI e VII, respectivamente).

No caso da Delly’s, Cruz diz que vê espaço “gigante” para ganhos de eficiência, pela alta fragmentação do setor de restaurantes, padarias e hotéis pelo país, que depende desse canal de distribuição.

“Os caminhões saem com carnes, linguiça, arroz e feijão para a entrega e, se você vai adicionando negócios, quanto mais rotas de caminhões tivermos, maior é a diluição dos nossos custos com proteínas, negócio que é o forte da Delly’s”, diz ele.

No caso do atacarejo, segundo pessoas a par do plano da gestora, o Pátria vê espaço para até duas cadeias de atacarejo no fundo da investimento, para liderar mercados pequenos e médios. Não deve, portanto, entrar em disputa com cadeias do tamanho de Assaí ou Atacadão.

No fundo VI, os cheques tem ficado entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões, segundo prospectos de captações de 2023 e 2024. No fundo VII, o último a ser lançado, deve girar até essa faixa.

Em relação ao mercado de varejo alimentar, Marcos Ambrosano, presidente do conselho de administração da Plurix, diz que para ser relevante em determinados segmentos altamente pulverizados no Brasil, como varejo e serviços, é preciso fazer investimentos altos. É o que consultores chamam de trabalho de formiguinha, comprando “share” aos poucos, de forma contínua.

“Conforme fomos crescemos o tamanho dos fundos, desenvolvemos teses com ambição de criar ‘players’ com 10% a 20% de mercado”, diz Ambrosano.

Em quatro anos, a Plurix adquiriu sete marcas (Superpão, Boa Supermercados, Supermercados Avenida, Compre Mais, Empório Dom Olívio, Grupo Amigão e Paraná Supermercados). São 18 mil funcionários e R$ 9,3 bilhões em vendas brutas em 2024, versus R$ 4,7 bilhões no ano anterior. A empresa não publica resultado final.

O mercado de consumo no Brasil movimenta R$ 10,3 trilhões, sendo que 67% vem do comércio e 33% de serviços, pelos dados do IBGE de 2023.

Dentre as teses, alimentos e bebidas têm tido um papel relevante na estratégia da gestora. Se for considerar todos os elos apenas da cadeia alimentar, da produção à distribuição, espalhados em diferentes fundos, foi investido US$ 1,5 bilhão até agora, calcula o Pátria.

Entre 2024 e 2025, o faturamento do portfólio de empresas investidas cresceu 12,6%, para R$ 26 bilhões – percentual acima do ritmo de expansão médio da industria e do comércio. De 2022 para cá, a alta foi de 130%.

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